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O homem que amava caixas

Coisa boa de se ter filhos pequenos é poder ler com eles as histórias feitas para crianças , que enternecem nossa imaginação e nos trazem de volta para a sabedoria esquecida da infância. Há livros para crianças que todo adulto deveria ler. Nesses tempos em que a realidade nos bate na cara todos os dias com estatísticas escabrosas, acordos sinistros, milhões de árvores cortadas, vidas cortadas, verbas cortadas para a arte , é bom poder ouvir histórias e ver lindas figuras que falam sobre relações humanas…como elas deveriam ser. Pautadas pela ética e pelo respeito. Deveríamos entremear com este tipo de contos as nossa leituras jornalisticas e escutar histórias infantis no intervalo do noticiário… quem sabe assim nos resguardássemos da desesperança e do cinismo que nos ameaça , a partir de dentro de nossos corações já endurecidos.

O homem que amava caixas , de Stephen M King, é a uma dessas histórias que li há algum tempo, e da qual sempre me recordo. Um homem diferente tem uma fixação por caixas. Não sabe dizer ao seu filho que o ama. Então, passa a construir para ele caixas em forma de castelos, com formato de aviões, e todos os tipos de caixas, para brincarem. O filho, que ama o pai, não se importa com sua esquisitisse. É por meio das caixas que se comunicam.

Esta história me lembra um filme que vi na adolescência, e nunca mais esqueci também. Outro dia encontrei-o num streaming , assisti de novo, e voltei a me encantar com ele. É a história de um rapaz que amava pássaros. O título foi traduzido aqui no Brasil como ” Asas da Liberdade”. Este rapaz encontra um amigo que o ama apesar de seus gostos estranhos. Passam a perseguir pássaros, criar pássaros juntos. A amizade floresce apesar das suas diferenças.

O homem que amava caixas, que diagnóstico ele teria? Seria um autista de alto funcionamento, um “Asperger”? Seria psicótico? Ou teria um bonito transtorno obsessivo compulsivo, destes que a gente lê no livro de psicopatologia, acumulador de caixas, caixinhas e caixotes? Todos os achavam esquisito. Mas ele tinha um filho, e brincavam.

O homem das caixas e o homem dos pássaros moram hoje dentro de mim. Quando alguém tem um gosto assim, estranho, é por meio desta preferência que escolhe se comunicar melhor. Nem sempre é fácil entender. Pode ser só em filmes e histórias que tamanhas esquisitices encontrem um final feliz. Mas na sala de análise há sempre caixas a nos confundir… às vezes conseguimos brincar com elas. E quando isso acontece, é muito bom.

O Homem que amava caixas foi editado pela editora Brinque-Book.

O filme Birdy ( Asas da Liberdade) é de 1984, dirigido por Alan Parker. Disponível em youtube , Apple TV e Google Play.