Setembro Amarelo: Suicídio e Vulnerabilidade

                     “Como é tênue a linha entre a vontade de viver e a vontade de morrer. Como é tênue a membrana entre a energia e o torpor. Tantas pessoas mais poderiam ceder à tentação de cometer suicídio se este fosse facilitado. Que tal …um buraco , um buraco bem profundo, que se pusesse num lugar público, para uso geral. Digamos na esquina da Quinta Avenida com a rua 70, em Manhatan. Onde fica a coleção Frick. ( Ou um lugar mais proletário?) Uma tabuleta ao lado do buraco diz:

                                                                    16h-20h/Seg,Qua, Sex/SUICÍDIO PERMITIDO. 

Só isso. Uma tabuleta.Ora, com certeza pulariam pessoas que antes nem tinha pensado no assunto. Qualquer cratera é um abismo, se se colocar o rótulo adequado.Voltando para casa do trabalho, ou saindo para comprar um maço de maléficos cigarros, desviando para apanhar roupa na lavanderia, procurando na calçada a echarpe de seda vermelha que o vento deve ter lhe arrancado dos ombros, você se lembra da tabuleta, você olha para baixo, você traga depressa, exala devagar,e pergunta – por que não.”
                                                                    Susan Sontag, em O Amante do Vulcão(1992)

     Como é mesmo tênue a linha entre a vontade de viver e a vontade de morrer. Nas fases de crise, nas “idades- dobradiça”, na velhice solitária ou na adolescência turbulenta, a tênue linha se esvaece. O aumento de suicídios na adolescência é um fenômeno que ainda não compreendido. Culpar a geração Mimimi e seus pais, ausentes, que não os prepararam para as frustrações da vida é solução fácil … Como explicar a passagem ao ato, à morte, quando os adolescentes se deparam com os lutos e as perdas do crescer? Entender o fenômeno como decorrente de falhas no microcosmo familiar e da fragilidade da geração nutela , oca e sem recheio, que decide se matar “por qualquer besteira” é simplificar uma questão muito mais profunda… Como se a geração RAIZ dos tempos passados não enfrentasse os mesmos dilemas.

Que dizer das mudanças das crenças e da espiritualidade, que ficou fora de moda  num tempo como o nosso, em que a vida deixa de ser valor sagrado? Que dizer da morte estilizada e tornada fetiche nos seriados da TV a cabo, dos grupos de internet para apoio ao suicídio que  ensinam as técnicas mais primorosas de morrer ? Que dizer do cutting e da anorexia; do país inteiro festejando o novo presidente com o gesto alegre que simboliza a arma apontada para o outro.
A ironia da autora imaginando um buraco bem no meio de Nova York com uma tabuleta: suicídio permitido é para mim uma das leituras possíveis para a a facilitação da posse  de armas pelos brasileiros. Para um adolescente vulnerável, ter uma arma em casa ( e não me digam que eles não vão saber  onde ela estará escondida!) é o buraco no meio da sala, de onde se pode pular. Existe uma vulnerabilidade em toda pessoa em fase de muda, de transição. A adolescência, a gravidez, a velhice, os períodos de passagem, enfim, nos tornam, como os bichos que mudam de pele, mais assustadiços e frágeis. Ainda não tendo chegado à fase de borboleta, os adolescentes se encasulam e tem de abandonar as certezas da infância; pais perfeitos tornados imperfeitos, gargalos: sua sexualidade, ter sucesso na vida, emprego, identidade. Antes de poderem voar têm pele fina, medo; e muita impulsividade . E o que dizer das drogas ? A facilidade que encontram para usar substâncias que alteram seus neurotransmissores e humores também contribui para que nos momentos de desespero e dor pensem : por que não? Na vulnerabilidade, a distância entre energia e torpor é tão pequena que o acaso conta, a oportunidade conta.
Porque a busca de sentido na vida é mais antiga que a modernidade e carece de resposta universal. A busca de sentido é uma criação individual que pode ou não se servir dos enredos disponíveis por aí; os enredos fornecidos pelo social, pela religião, pelos pais, pelos modelos. Uma das características das pessoas que estão conectadas com os seus verdadeiros selves é sentirem-se reais, e com isso terem uma bússola na vida, uma certa fé num ambiente bom, possível. Para avaliar os diversos enredos que o mundo lhes for disponibilizando. Para adaptar-se; permitir-se ser modificado pelo mundo.

Para Winnicott , o FAZER que caracteriza a entrada na adultice fica muito difícil se não há antes um SER que foi constituído, sim, com as frustrações superadas a cada fase, mas sobretudo pela sensação de continuidade que o ambiente amoroso permitiu nos primórdios da vida. Ele nos diz:  primeiro é o SER, e depois o FAZER. Quando o SER está presente, o corpo se manifesta integrado no viver; e a agressão contra o próprio corpo não prevalece na hora da dor e da crise: porque houve o estabelecimento de uma confiança básica em si mesmo e num ambiente bom.

Que ambiente nossos adolescentes estão encontrando, que sociedade é essa que parece que cava um buraco no meio da cidade com uma tabuleta assim? Pode pular??! Uma das consequências da facilitação das armas é o aumento de suicídios. A valorização da vida é frágil numa sociedade injusta e polarizada, competitiva, e um tanto cínica. Hoje se aprende muito bem os jeitos de se matar pela internet.Quem ainda não assistiu pode procurar ver A Sociedade dos Poetas Mortos ( 1989) ou Yonlu (2017), a história de um adolescente gaúcho que teve seu suicídio facilitado por um grupo de internet. Sempre haverão razões para viver e para morrer, para cada pessoa; mas, nos momentos de vulnerabilidade , estar num ambiente facilitador de morte pode fazer toda a diferença.

Sobre o assunto, a  entrevista do psicanalista  Mario Corso, na revista Época, que pode ser lida aqui.

Da janela do último andar
A cidade se suicida
É difícil não se jogar
É tão fácil acabar com a vida…

( Avenida São João- música de Jean Garfunkel inspirado na obra de Guimarães Rosa).

A difícil arte da intimidade

E, no entanto, constroem-se pontes.

Antoine de Saint-Exupéry

O filme israelense The Day After I’m Gone ( O dia seguinte à minha partida) apresenta de forma dramática e intensa a tensão que pode estar presente entre um pai e uma filha que apresentam muitas dificuldades de comunicação.  Habitando o mesmo espaço físico, existe um abismo entre eles e uma impossibilidade de se construir uma ponte que possa criar um caminho de encontro.

O abismo entre eles nos é apresentado logo no início do filme. Yoram, que é veterinário, diz à sua colega de trabalho que se descobre que o filho entrou na adolescência quando se passa a odiá-lo. Após formular essa frase chocante e de impacto, conta do desaparecimento de sua filha adolescente há dois dias.  A amiga lhe interroga onde ela poderia estar e se a polícia ainda não foi acionada, provavelmente pensando que a garota poderia estar em apuros ou sofrido violência. Ele, apesar de preocupado e aflito, nega tal fato dizendo que ela já vai voltar, que é “coisa de adolescente”. Percebemos então que o pai também não está podendo acessar os próprios sentimentos de preocupação com a filha. Voltando para casa, porém, já sensibilizado pela conversa com a amiga, decide ir à delegacia. É repreendido pela delegada pela demora em comunicar o desaparecimento. A delegada lhe diz que a filha é criança, e ele não concorda, pois considera a filha responsável pelos próprios atos. A policial retruca que, por lei, por ter apenas 16 anos, ela ainda é uma criança. Para obter dados sobre a filha e poder iniciar uma busca começa a lhe fazer perguntas:  se tem a senha do celular da filha, se ela tem facebook ou instagram, etc. Ele não tem nenhuma dessas informações- o que já vai revelando a distância e o desconhecimento da vida e do cotidiano da filha.

 A questão da intimidade e de quem é o outro sempre foi um ponto que muito me intrigou e afligiu. Esse tema é intensamente tratado no livro de Josephine Hart “ Perdas e Danos”, que foi transformado em filme por Louis Malle ( 1992), baseado num caso verídico que aconteceu na Inglaterra :  um ministro da Alta Corte se envolve com a namorada do filho, que quando os flagra num encontro se joga pela janela. Enquanto o pai vai vive esse tórrido e proibido romance se pergunta como isso é possível:  como pode ele estar ali,  deitado ao lado de sua mulher, com quem é casado há tantos anos, como se nada estivesse acontecendo. E como é possível que a esposa sequer desconfie de qualquer coisa  enquanto ele vive essa paixão avassaladora e louca. Essa é uma situação que o angustia muito- essa situação de divisão e ambiguidade convivendo dentro de si, sem que o outro ao seu lado tenha sequer ideia.

Sempre me perguntei quem de fato é o outro–  o que sabemos das pessoas que convivem ao nosso lado. Essa é uma situação muito comum nos nossos dias, principalmente com filhos adolescentes:  por mais que os controlemos, o que sabemos de sua intimidade, de quem são eles?

Este pai, voltando para casa depois do desconcertante diálogo com a policial, permanece sentado, imóvel no sofá, olhando para o nada. Preocupado? Com raiva? Totalmente imóvel e com o olhar perdido. De repente a adolescente Roni abre a porta, entra, cumprimenta-o friamente e vai para seu quarto como se nada tivesse acontecido. Ele pergunta onde estava e ela responde um lacônico “por aí”.

Na noite seguinte o mesmo ritual frio e distante se repete : Roni chega, dá um “oi” e se dirige ao seu quarto. Na madrugada, enquanto dorme, Yoram  é acordado com batidas à sua porta – investigadores da polícia chegam dizendo que foi  identificado nas redes sociais uma comunicação dela de que iria se suicidar. Ele reage violentamente achando isso um absurdo, uma invasão, mas a polícia força a entrada e de fato a filha já estava desacordada após ter ingerido remédios para se matar. A moça é levada para o hospital.

Atordoado com tudo isso, no hospital , é abordado por um judeu ortodoxo que reza pela filha e lhe entrega um livro de reza,  lhe dizendo que reze também por sua recuperação.

Depois do ocorrido retornam à casa e o mesmo clima de distância permanece sem que ele consiga se aproximar da moça, sem que possam conversar sobre o que aconteceu. O silêncio entre eles permanece inalterado, tenso. No decorrer do filme somos informados de sua esposa morreu recentemente, e de que antes deste fato , os três eram muito próximos e unidos.

Ele, sem saber de fato o que fazer, como se aproximar, conversar e acolher a filha, decide ir visitar a família da esposa que mora ao sul de Israel. Comunica-lhe sua decisão, a qual ela acha muito estranha porque parece que não tinha um bom relacionamento com a mesma. Partem em viagem no mesmo silêncio por todo longo trajeto, fluxo represado, denso e tenso.

Ao chegarem, encontram a família da mãe com todas as suas esquisitices. Vamos nos dando conta porém que esse foi um gesto desesperado , um pedido de socorro de um pai paralisado e impotente diante da impossibilidade de um gesto espontâneo em relação à dor e ao sofrimento da filha. Roni havia lhe pedido que não lhes contasse nada de sua tentativa de suicídio, mas ele o faz numa conversa particular com sua cunhada. Esta lhe pergunta se a moça queria de fato se matar e ele responde que não, que queria apenas lhe mandar uma mensagem, chamar sua atenção. E ele diz  que não faz ideia do que ela realmente  queria lhe comunicar. 

Diz Winnicott que quando a criança descobre que pode se esconder, que tem essa possibilidade, isso lhe dá a descoberta de um poder… mas se ao mesmo tempo  é uma glória poder se esconder, é uma tragédia não ser encontrado!  De certa forma a moça, neste filme,  não era encontrada pelo pai, que a via mas não a percebia, não a sentia:  ela lhe era uma estranha. Em seu trabalho sobre a tendência antissocial Winnicott diz que quando a criança ou adolescente apresentam comportamentos de agressividade, mentiras, roubos, rebeldia, estes comportamentos antissociais estão expressando um sentimento de que algo bom foi perdido por uma falha que é atribuída ao ambiente. Sabendo que a falha é do ambiente, estão vivendo uma deprivação afetiva e desejam resgatar o que tinham de bom e perderam. Endereçam então ao próprio ambiente esse protesto que ao mesmo tempo é um pedido de ajuda.  O momento do comportamento antissocial é justamente um momento de esperança: identificaram  em seu entorno algum sinal que lhes deu a esperança, ou a ilusão,  de que a falha pode ser  reconhecida de modo a se restabelecer a situação anterior.

A tia, ao se inteirar do fato, imediatamente diz que tem sim que contar à família, que seria absurdo não contar, que isso é muito sério – e a partir daí assume a administração da situação. Reúnem a família inteira em uma “roda de conversa”, chamam a menina para lhe dizer, cada um à seu modo, que reconhecem a dor da sua perda, da terrível vivência da doença e morte da mãe. Falam inclusive da própria dor relativa a esta morte, reiterando que Roni é membro da família e muito querida por todos ali. Cada um fala de seus sentimentos por ela, da importância que tem, reconstruindo sua história desde o nascimento, rememorando momentos significativos de sua vida.

Ao partirem, ela está, obviamente, furiosa com o pai por ter violado o seu segredo. Pede à ele para voltar dirigindo o carro, pedido que já havia feito na ida mas ele não permitiu – e eis que dessa vez ela vem dirigindo no caminho de volta. O mesmo silêncio se mantém entre eles, apenas um pouco mais leve. No caminho, passam pelo túmulo da mãe e a filha chora: a situação do luto extremamente dolorosa já não é negada. Chegam em casa e num primeiro momento não parece haver qualquer mudança no relacionamento entre eles… Roni vai para seu quarto enquanto Yoram fica na varanda.

Porém, quando a moça vai à cozinha pegar um copo de água , logo em seguida, encontra o livro de rezas que o pai trouxera do hospital.  Olha, acha estranho e pergunta a ele o que é aquilo, ao que ele lhe responde: Rezei por você enquanto você estava no hospital… Ela sorri …e vem sentar no sofá da sala, ligando a televisão.

Através desse simples gesto a filha consegue se dar conta do amor do pai, da sua importância para ele, sua angústia e sofrimento com o que poderia ter lhe acontecido. Sendo o pai não religioso, ter rezado por ela e ter trazido o livro para casa era muito significativo, e assim finalmente ela conseguiu ser encontrada.

As vezes é muito difícil lidar com os adolescentes e saber exatamente qual seria a conduta mais acertada, e a medida adequada do limite. Apesar do seu pedido de não contar nada à família da mãe e da fúria pelo pai não ter atendido a este pedido, foi de extrema importância a família ter se encarregado do seu desespero e do sofrimento de Roni. A ação da família foi reconhecer e nomear sua angústia e sua perda, acolhendo esses dois seres atolados em si mesmos, sem conseguir compartilhar o sofrimento, por não poder elaborar o luto da mãe/esposa que funcionava como a ponte e o elo de comunicação da família.

Também foi um processo muito importante a possibilidade do pai  ter a humildade de reconhecer sua total impotência para lidar com a situação, se aproximar da filha e compreender o que se passava com ela.

O momento atual da humanidade é um momento de luto coletivo, onde estamos tendo que lidar com muitas perdas ao mesmo tempo, desde a morte física de pessoas próximas e queridas, como a nossa vida roubada- um momento em que como um todo estamos sofrendo uma deprivação. As crianças perderam os amigos, a escola. Os professores, suas atividades regulares, sua rotina, assim como adultos e adolescentes. A ideia da morte paira no ar como uma possibilidade real e concreta. Roubaram-nos a possibilidade de fazer planos e com isso os sonhos, os projetos…Estamos à deriva…. cada um de nós tendo que encontrar em sua história e circunstância a esperança de um porto onde atracar com segurança permanecer em espera. As relações de amor que cultivamos, agora, são o nosso porto seguro.


Aponte
Ê, a nuvem vai fazer chover
Lavar a terra maltratada
Sem teu amor, não sobra nada
A gota d’água pra viver
Tão seco assim não brota nada
És minha santa, és minha amada
Fui te encontrar pra me perder
Aponte que eu não enxergo quase nada
Nem assovio, nem um pio
Pode vir raio ou trovoada
Eu não arredo desse rio
Aponte onde dá o norte
Aponte onde leva o rio



Composição: Lan Lan / Nanda Costa / Sambê

Para assinar o MUBI https://mubi.com/pt ( vale muuuuuuuuuito a pena!)

O filme THE DAY AFTER I`M GONE pode ser visto em https://mubi.com/pt/films/the-day-after-i-m-gone

CONFIAR : A INTERNET, O SEGREDO, E A VULNERABILIDADE ADOLESCENTE

Por Cleyton Angelelli e Arianne Angelelli

“onde houver um desafio do rapaz e da moça em crescimento, que haja um adulto para aceitar o desafio “

Winnicott.

Nos dias de hoje ,com a internet, encontramos jovens plugados durante o dia todo, conectados em um espaço virtual, que não permite o acesso dos pais. Ao mesmo tempo as famílias estão reduzidas e cada vez mais isoladas em seus espaços de comunicação. Hoje vemos crianças muito pequenas com tablets e adolescentes 24h ligados em seus computadores e I phones. Os pais , que vieram de outra geração , não sabem colocar limites e carecem de parâmetros diante da realidade cada vez mais virtual desta geração. Muitas vezes não estão familiarizados com a tecnologia da mesma forma que os filhos e se sentem desorientados ao perceber que o mundo virtual adolescente é um campo desconhecido. Alguns pais tentam exercer controle sobre os acessos e o tempo nas telas , outros são excessivamente permissivos com os filhos . Todavia, não há uma fórmula mágica para fornecer parâmetros 100% seguros quando se trata do processo de ganho de autonomia que a adolescência representa. Os adolescentes vão se expor a perigos mas estarão esperando que os pais possam estar atentos a eles. O processo de crescer envolve muitos lutos e reviravoltas – e os pais precisam estar dispostos a “topar a parada”.

A proposta deste trabalho é a análise do filme ” Confiar ( Trust) ” do diretor David Scwhimmer ( 2010). No enredo, uma garota de 14 anos que vive com os pais e o irmão, numa família estável, aparentemente saudável, envolve-se na internet com um pedófilo. Ele se faz passar por um rapaz mais novo e abusa sexualmente dela.

O pai, publicitário, ele mesmo veiculando na mídia imagens sensuais de meninas muito jovens , ao ver a filha conversando com o desconhecido , não imagina o risco que ela corre . Confiante na sua capacidade de discernimento e na sua “inocência”, se surpreende quando comunicado, por terceiros, de que a moça sofreu abuso num primeiro encontro com o pedófilo. As fraturas na comunicação intrafamiliar se evidenciam. Os pais , envolvidos com a saída do filho mais velho de casa, deixaram de notar o perigo que a filha estava correndo. Percebe-se que nesta família a chegada dos filhos à adolescência encontra os pais de certa forma despreparados para lidar com o luto e a transformação . Eis o que acontece: desponta a sexualidade da filha , que vive o apaixonamento em segredo- mas os pais não estão atentos aos sinais de que ela precisa de orientação.

A retomada da comunicação familiar se faz por meio de muita dor .Todos terão de elaborar o luto pela infância perdida e pela família idealizada que parece desmoronar neste momento. Após vários desdobramentos do ocorrido, a adolescente, sem condições de elaborar o trauma, faz uma tentativa de suicídio. Os pais, avisados por uma amiga, conseguem encontrá-la a tempo.

Existe um paradoxo na comunicação adolescente. Parafraseando Winnicott, neste momento da vida há
“um sofisticado jogo de esconder, em que é uma alegria estar escondido, mas um desastre não ser achado”.

Winnicott conta o caso de uma mocinha que tinha um diário secreto, que era deixado de modo a ser encontrado pela mãe, que deveria ficar ciente dele, mas sem comentar com a filha. O paradoxo está no fato de que o adolescente quer privacidade e quer se arriscar, mas deseja que os pais estejam sempre atentos e dispostos a protegê-los , percebendo os sinais de que algo anda errado e colocando limites em sua onipotência. É um jogo de esconder muito sofisticado, pois a criança que cresceu precisa agora de um espaço para si, mas não quer ser abandonada à própria sorte.

No filme, o namoro virtual é o “diário secreto” que não foi encontrado pelos pais, quando a comunicação falhou. Ao tentar suicídio, enviando uma foto de si pela rede, a mocinha tenta de novo enviar um recado os pais …

( Trabalho apresentado no décimo terceiro congresso brasileiro de adolescência )

Na cena acima, a adolescente conversa com Charlie, que usa de uma falsa identidade para se aproximar dela por um chat online.

O mínimo para viver

O mínimo para viver To the bone, filme de Marti Noxon (2017)

“Você parece um fantasma” diz a mãe de Ellen, assustada, quando a vê durante a internação.

Ellen, uma jovem com anorexia grave, inicia um tratamento em uma clínica alternativa. Lá, conhece outros pacientes que enfrentam distúrbios alimentares e, através dessa convivência em grupo e com o terapeuta, entra em contato consigo mesma, com seu transtorno e história.

Um fantasma é um espírito sem corpo, etéreo. Anoréxica, Ellen some até os ossos. Quase um sopro do que poderia ser. Tem repulsa aos alimentos, sente-se gorda, faz exercícios para eliminar qualquer possibilidade de caloria acumulada.

Na reunião com a família na clínica, Ellen desaparece no turbilhão das relações familiares. Um pai ausente, três mães e nenhum colo, um abraço da irmã.

No decorrer do seu tratamento, Ellen parece ganhar forma ao assumir um outro nome: “Eli” – escolhido como seu, e não mais o de sua avó. Gradativamente, começa a interagir com as outras pessoas. Quando se decepciona, Eli ganha corpo, expressa sua raiva ao psicólogo e deixa a clínica. Vai em busca da mãe.

Nesse encontro, embalado pelas lembranças e culpas maternas (“estava em depressão após o parto, creio que não te segurei e alimentei como poderia”), vai se formando uma permissão. Eli pode não comer, pode morrer, se quiser, se esse for o seu desejo. É como se a mãe dissesse: pode viver a sua angústia, estou mais forte agora.

Nesse momento, com cuidado, a mãe a aconchega ao colo e Eli aceita uma mamadeira.

“Deveríamos poder deixar essas crianças irem até o fim” diz o psicólogo depois que ela vai embora. Eli vai até o fim, até os ossos. Poderia se dizer até a medula, para descobrir, após se deixar alimentar pela mãe, que quer viver, que pode perder o controle da sua alimentação para “o outro”, que pode se deixar envolver pelo colo de outrem.

Esse filme nos faz lembrar dos conceitos de Winnicott:

“Quando uma mãe, através da identificação com seu bebê (isto é, por saber o que o bebê está sentindo), é capaz de sustentá-lo de maneira natural, o bebê não tem de saber que é constituído de uma coleção de partes separadas. O bebê é uma barriga unida a um dorso, tem membros soltos e, particularmente, uma cabeça solta: todas estas partes são reunidas pela mãe que segura a criança e, em suas mãos, elas se tornam uma só”. (Winnicott, Explorações psicanalíticas, 1969g/1994, p. 432)

 “A mãe sabe por empatia que quando se pega um bebê é preciso levar um certo tempo nesse processo. O bebê deve receber um aviso, as várias partes devem ser seguradas em conjunto; finalmente, no momento certo, a criança é levantada; além disso, o gesto da mãe começa, continua e termina, pois o bebê está sendo levantado de um lugar para outro, talvez do berço para o ombro da mãe”. (Winnicott, Natureza humana, 1988, p. 137)

A mãe de Eli, deprimida, sem o suporte do pai, sempre ausente, conta que não pode segurar direito o seu bebê.

“No início há o soma [o corpo], e então a psique, que na saúde vai gradualmente ancorando-se ao soma. Cedo ou tarde aparece um terceiro fenômeno, chamado intelecto ou mente”. (Winnicott, Natureza humana, 1988, p. 161)

“A integração também é estimulada pelo cuidado ambiental. Em psicologia, é preciso dizer que o bebê se desmancha em pedaços a não ser que alguém o mantenha inteiro. Nestes estágios o cuidado físico é um cuidado psicológico” (Natureza humana, 1988, p. 137)

Conforme as ideias de Winnicott, podemos entender que, na saúde, a mente tem sua origem num momento específico do percurso de amadurecimento. Ela surge como um ramo da psique na sua integração com o soma. Isso se inicia na fase de desilusão – quando, por qualquer aspecto da realidade, as necessidades do bebê não são atendidas – e segue como uma linha presente ao longo de toda a existência do indivíduo.

“Se tomarmos agora o caso de um bebê cujo fracasso da mãe em adaptar-se é rápido demais, podemos descobrir que ele sobrevive por meio da mente. A mãe explora o poder que o bebê tem de refletir, de comparar e de entender…. Este pensar transforma-se num substituto para o cuidado e adaptação maternas. O bebê “serve de mãe” para si mesmo através da compreensão, compreendendo demais”. (Winnicott, Explorações psicanalíticas, 1965/1994, p.122)

A desconexão entre o corpo e sua imagem e necessidades, aspecto da anorexia, pode se entender como vestígio de alguma não integração psique-soma. A sobrevivência através da atividade mental poderia explicar a recusa ao alimento como uma teoria primitiva para controlar a fome, a vida, a morte, a necessidade e a ausência do outro. No entanto, os sintomas psicossomáticos seriam ainda, de alguma forma, expressão da busca de interação psique-soma, através da tendência inata à integração.

O convívio a que Eli se permite na clínica e a possibilidade experimentada no encontro com o terapeuta e com sua mãe proporcionam a renovação da expressão de suas necessidades, no embate da sua satisfação/frustração com a realidade possível.

Nesse sentido, Eli precisa ir “até os ossos” para encontrar o seu corpo, as suas emoções, a integração perdida e para poder se deixar permear pelo alimento, pelo sol, pela vida.

Um bate-bola com os adolescentes

Vozes em Debate: Adolescência

Gabriela Viana conversa com a especialista em psiquiatria da infância e adolescência pelo Hospital das Clínicas da USP, Arianne Angelelli, e os adolescentes Gustavo Polo, de 14 anos, e Beatriz Videira, de 17 anos.

Publicado em 17/07/2019•Duração: 52min

https://cbn.globoradio.globo.com/media/audio/267570/vozes-em-debate-adolescencia.htm

meninas e o álcool

Não há um consumo seguro de álcool na adolescência.

A cura da adolescência é a passagem do tempo. ” nos diz  Winnicott.

Sabemos que eles e elas vão testar nossos limites, mas temos de nos posicionar firmemente : “Onde houver o desafio do rapaz ou da moça em crescimento, que haja um adulto para aceitar o desafio.” 

Benzinho: a nossa pietá brasileira.

Benzinho – A nossa pietá brasileira
Sobre a relação do homem com sua mãe, a nossa blogueira do Gesto Espontaneo , Cecilia Hirchzon escreve *:
“O homem, para ser “si mesmo” e para constituir a sua identidade masculina, terá de se separar desta Mulher, de quem dependeu totalmente. Já a mulher, para se constituir como tal, não precisa estabelecer necessariamente a separação – pode manter-se identificada com essa Mulher. Observamos, portanto, duas direções distintas: enquanto a mulher lida com a Mulher dentro de si através da identificação, o homem tem que se separar, tornar-se único, o que se constitui em uma urgência no desenvolvimento da sua identidade. A especificidade da identidade feminina caracteriza-se por ser geracional e infinita, isto é, podendo manter dentro de si três mulheres: o bebê menina, a mãe e a mãe da mãe. Essa condição possibilita à mulher o desempenho de diferentes funções sem violar a sua natureza. Pode ocupar posições diversas nas brincadeiras, onde ora é mãe, ora é filha, alternando papéis. Ou, ainda, na idade adulta, exercendo a sua feminilidade, ocupando o lugar de mãe e/ou mulher sedutora. Enquanto isso, o homem não se funde nessa linhagem – sua condição básica é a de ser um”.
No belíssimo Benzinho, de Gustavo Pizzi, que está em cartaz nos cinemas, o primogenito de Irene, mulher brasileira , mãe de quatro filhos, vai embora para a Alemanha a convite de uma universidade que está interessada no seu talento esportivo. O adolescente vibra enquanto a mãe se quebra, assustada com a partida súbita, fora de hora, do filho muito jovem. A história de Benzinho é o processo que se desencadeia com a chegada da noticia, suas idas e vindas , focado aqui no ponto de vista da mãe que vai tentando aceitar o momento que é de alegria e tristeza. Porque Irene é Pietá não vou contar aqui, para não dar um “spoiler” do filme. A interpretação de karine Teles é magistral. O amor materno aqui se desdobra em suas mais variadas possibilidades ( como diz a Adelia Prado, mulher é desdobrável) . A mãe suficiente boa, por sua saúde e sua capacidade de lidar com a perda e a separação, aparece na interpretação de Irene. Mãe suficientemente boa que se atrapalha, fica brava, dá chilique, chora, pira, respira, mas, enfim, ama. A gente fica apaixonada pela Irene. O longa foi escolhido como o filme brasileiro que vai disputar uma vaga entre os quatro finalistas ao Prêmio Goya de Melhor Filme Ibero-americano, considerado o Oscar espanhol.
E , para terminar, um poema, uma musica.

O gato andaluz*
(Rosa Alice Branco)
O meu filho caminha por aí. Já não sei
se é o Douro ou o Darro que lhe embala o sono.
Nem onde guardei as datas e o nome das ruas
ou se vou te encontrar logo à tardinha.
Deixei-me de saber e de pensar que sei.
Um gato arranha à minha porta a miar em andaluz.
Eu arranho a porta a dois dias daqui, duas horas
De avião. É proibido miar nos voos europeus.
Engulo a saliva do dia e assim se faz noite.
E não há gaivotas a gritar por mim. Por mim
estou eu à janela do avião. As malas
com que hei de dizer-te: cheguei. O teu abraço
como um rio qualquer onde corra água.
Esquecer o que ficou para trás e a língua que me fala.
Levar o copo à boca onde nasce a boca,
A fonte do quintal, a nascente do mar. O meu filho
Voa como se caminhasse descalço. Cruzamo-nos
no horizonte sobre a linha do rio onde deságua a luz.
E as palavras aquietam-se no seu nada.

( do livro Soletrar o dia, Ed escrituras, 2004)

* este artigo está postado em nosso blog na seção artigos e notícias ( “Os elementos masculino e feminino puro na clínica”).

O gesto espontâneo de Francis Há

O filme Francis Há, do diretor Noah Baumbach (2013) está no netflix.

Para quem não assistiu no cinema, é uma boa opção. O filme narra as aventuras (e desventuras) de Francis, tentando achar o seu lugar ao sol em Nova York, e também no mundo adulto, em que parece não se encaixar. Grandona, desengonçada, espontânea, Francis e seus amigos são adolescentes tardios. Geração mimimi, geração nutela, geração nem-nem (nem trabalha, nem estuda)… Quem não escutou um destes termos e a explicação jocosa de que estes jovens estão se jogando da caixa d’água ou morrendo de propósito,  “feito passarinhos, avoando de edifícios” porque não querem crescer, ou não aguentam as frustrações? Não querem trabalhar, não querem dificuldades: “dá seis da tarde, largam a caneta”… ou: “foram criados na internet, tudo na mão, tudo fácil, não querem nada com a dureza”.

Hummmm… Ponho-me a pensar.

 

Na clínica dos tempos atuais constatamos um prolongamento da adolescência, toda uma geração de adultos jovens que não está conseguindo amadurecer. No entanto, amar e trabalhar, sair de casa, fazer parcerias e escolher uma maneira de ser autônomo é um desafio que enfrentam com dificuldade, nem sempre com essa placidez que aqueles termos pejorativos evocam. A geração mimimi está sofrendo de verdade.  Para Freud o trabalho pode “tornar possível o uso de inclinações pré-eexistentes, de impulsos pulsionais” a serviço da realização pessoal e da vida em comunidade. Winnicott diz: “se o que se pretende é que a vida instintual tenha liberdade de expressão...” haveria um equilíbrio que tem que ser obtido sempre de novo, em cada fase: “considerem um médico e suas necessidades. Privem-no de seu trabalho, e o que será dele? Ele necessita de seus pacientes e da oportunidade de usar suas aptidões, como qualquer outro profissional.”.

Privem o jovem adulto de usar suas aptidões… o que será dele?

Para estes jovens, estamos falhando em ser o ambiente que permite a realização: há os trabalhos criativos, e há os ofícios insanamente alienantes, e aqui eu não estou falando da alienação de Marx; eu estou falando da alienação do verdadeiro self. A morte psíquica é um desfecho possível, e quem viu o filme Arábia (Afonso Uchoa e João Dumas-2017) se entristeceu com a história do Cristiano, que escreve um diário, se apaixona, mas no final sucumbe, vira “coisa”, deixa de sonhar.

Francis sonha. E podemos sonhar este filme, como nos propõe Nino Ferro: Francis e seus amigos representando, cada um, uma parte do seu self (como no enredo de um sonho ou de uma sessão). O filme é uma fábula moderna sobre as vicissitudes da bailarina meio gauche, desengonçada, Francis, que com 27 anos enfrenta dificuldades para manter-se economicamente. Não  selecionada para o espetáculo de natal, ainda é uma adolescente: tem sonhos grandiosos de realizar-se como artista,  mas  não encontra reconhecimento no trabalho.Também não se acerta com o namorado :  “sou alta demais para casar” , e fala de si mesma  ” eu ainda não sou uma pessoa real, de verdade” . Da dificuldade de passar pela fase da adolescência diz ” sou uma pessoa que tem dificuldade em deixar os lugares” quando se demora no camarim, tentando organizar suas coisas após um ensaio, quando todos já foram embora.

 

Em várias de suas falas e no enquadramento do filme, quando dança, por exemplo, partes de seu corpo são deixadas fora da cena, e diz de si ” Nunca consigo saber como fiz meus machucados”. Esse corpo grandão e que escapa do esquema é tão próprio da adolescência, período de crescimento rápido, em que o corpo passa na frente e a mente corre atrás, atabalhoadamente, tentando dar conta do recado! Francis dança, mas é mesmo meio desastrada, como uma adolescente que cresceu rápido demais. Quando Sophie,  melhor amiga,  que pode ser sonhada como o seu duplo, de quem   diz “somos a mesma pessoa, com cabelos diferentes”, vai embora, inaugura-se  em Francis um período de solidão e busca de sentido,  marcado pela instabilidade: constantes mudanças de endereço  e viagens – a fuga para Paris, o retorno à universidade, à casa dos pais.  Outros personagens que vão aparecendo, todos na casa dos 30,e parecem encarnar os falsos-selves que Francis vai rejeitando em sua busca por autonomia e realização; os jovens ricos dependentes dos pais,  artistas que  nada produzem, a colega da companhia de dança que a acolhe em sua casa,  mas não sabe brincar. Francis, perto dos 30 e temendo parecer mais velha ( pois não se sente adulta), parece ser a pessoa mais desajustada, mas na verdade  é aquela que mais traz a marca da autenticidade e da alegria. Nem sempre estar bem ajustado significa saúde mental…se isso se faz às custas do estrangulamento do gesto espontâneo.

Podemos entender o tempo do filme como o tempo da adolescência,  tempo de estar sempre um pouco à deriva, sem respostas, de inquietude. Mas também tempo de rejeitar as falsas soluções. O que nós “adultos” ( rssss) gostamos de chamar de preguiça ou rebeldia ou aborrescência. ( É que a gente gosta de esquecer que já sentiu isso um dia – e vai sentir de novo: na menopausa, na hora de ter o ninho vazio, ao se aposentar, ao fazer o implante dentário, ao envelhecer…).

A cura da adolescência é a passagem do tempo. ” nos diz  Winnicott. Nós, terapeutas, vivemos com Francis, como expectadores, este marasmo que caracteriza tantos  momentos da análise dos adolescentes.

Enfim, nossa heroína consegue fazer a sua  passagem. No final do filme, tem a oferta de um trabalho de secretária ( aceito com  relutância), e se  reconcilia com a amiga que regressa do outro lado do mundo  ( simbolizando a integração dela mesma). Por fim alcançada alguma estabilidade,  inicia o trabalho como coreógrafa, inventando uma dança. Ela assim descreve sua coreografia       “gosto das coisas que parecem erradas”.

Três cenas finais indicam a elaboração da passagem da adolescência em Francis, de maneira muito poética. Na primeira,  orienta os bailarinos que vão ao palco encenar sua coreografia, mostrando a capacidade de estar na coordenação de um projeto original, autoral: a capacidade de trabalhar criativamente. Na segunda, o belo encontro de olhares de Sophie e Francis, ao fim da peça, que pode ser visto como o olhar amoroso, e também o espelho, o reconhecimento no olhar do outro, tão buscado pelo artista. E, enfim, a adequação ao princípio de realidade quando finalmente tem uma casa que é sua, e precisa cortar um pedaço de seu nome para que ele possa caber no  espaço da caixa de correio. É a aceitação da castração, como limite-borda definidora, parte do amadurecimento. Como nos diz Winnicott; “Ser, antes de fazer”. “O ser tem de se desenvolver antes do fazer…  finalmente a criança domina até mesmo os instintos sem a perda da identidade do self”. O nome comprido que pode ser cortado agora é Francis amadurecida, ajustando-se, sem deixar sua dança, sem perder a felicidade, o senso de identidade e a capacidade criativa. De uma forma dialética, e poética, o fazer também alimenta o Ser; assim acontece com Francis, que amadurece tarde, mas no seu próprio tempo.

para meu sobrinho, Thales Augusto.

 

Gravidez na adolecência – PGM 20

O Programa semanal de debates onde os temas são selecionados a partir de fatos que ocorrem no cotidiano da sociedade.

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